Crítica: Jojo Rabbit

By Maykon Alves
In fevereiro 6, 2020

Jojo Rabbit é um filme satiricamente cômico, que aprofunda em dramas pesados, sem perder sua sutiliza. Mais do que isso, o filme mostra como a manipulação é capaz de cegar o ser humano. Mas, ao aprender simples lições, como o de não existir raças humanas superiores a outras, jamais existirá um mal, que não possa ser derrotado.

A PREMISSA

Uma sátira da Segunda Guerra Mundial que segue um garoto solitário alemão, chamado Jojo (Roman Griffin Davis), cuja visão de mundo se inverte quando descobre que sua mãe solteira (Scarlett Johansson) está escondendo uma jovem judia (Thomasin McKenzie) em seu sótão. Ajudado apenas por seu amigo imaginário, Adolf Hitler (Taika Waititi), Jojo deve enfrentar seu nacionalismo cego.

O Filme

Jojo Rabbit é um filme que desde suas primeiras sessões, em festivais, já gerava comentários contraditórios. Afinal é possível fazer uma sátira, á uma das maiores atrocidades que o ser humano foi capaz de fazer? Pessoalmente acredito que sim, o filme é capaz de nos fazer rir dos nazistas, ao invés de rir com eles. Aqui é importante dizer, que não estamos rindo do que eles fizeram, é claro. O filme aborda o nazismo em uma visão de inocência, de uma criança, que mesmo não sabendo amarrar os próprios cadarços, já que estar presente na guerra e acredita e confia cegamente no nazismo.

A propaganda nazista foi muita persuasiva e capaz de manipular até o fim os alemães. No filme percebemos isso com o Jojo, que por tanto, tem como melhor amigo, o imaginário Adolf Hitler. E com isso, Jojo acredita em tudo que o Nazismo prega.

Porém algo muda, quando ele descobre a jovem judia Elsa, em seu porão. Nesta cena, na qual ele a descobre, foi usado um tom com referências a filmes de terror, já que na cabeça do Jojo, os judeus eram monstros, pois assim, ele havia aprendido. E para piorar, ele não poderia contar nada, pois prejudicaria sua mãe.

A partir daí Jojo decide aprender tudo sobre os judeus – mesmo que seja para escrever um livro, que ajudaria a derrota-los – e assim ele vai desenvolvendo sua própria opinião sobre os judeus e descobrindo novos sentimentos.

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Taika Waititi e Roman Griffin Davis

Quando assisti Jojo, já me apeguei pelo filme logo no início. O tom de humor satírico já começa com a intercalação de cenas de Jojo saudando Hitler e em seguida imagens dos discursos de Hitler e a população em euforia, e tudo isso ao som da música “Komm Gib Mir Deine Hand” (“I Wanna Hold Your Hand), meio que comparando o frenesi da população naquela época, a famosa beatlemania, no sentido do tamanho da euforia das pessoas.

Um dos grandes destaques do filme é a atuação da Scarlett Johansson, que ajuda a jovem Elsa, pois ela não é a favor da guerra. Scarlett, está sutilmente emocionante, profunda e com uma importância enorme, para o arco mais dramático do filme.

Definitivamente temos um grande prodígio no cinema. Roman Griffin Davis está excelente, em seu primeiro longa-metragem. Ele se mostra extremamente profissional, com excelentes contrates de humor, em um papel delicado para se fazer. Vale ressaltar, que todas as crianças estão muito bem no filme, roubando a cena dos adultos.

Destaco principalmente todas as cenas que envolvem Jojo e Elsa. Os diálogos e o desenvolvimento dos dois juntos é lindo e comovente. A inocência de um menino de 10 anos e uma jovem, que não podia aparecer para o mundo, simplesmente por ser quem é.

As piadas usadas no filme são de uma forma sutilmente irônicas, mostrando absurdos como o de queimar livros e a forma como os nazistas ensinavam e diziam mentiras sobre os judeus.

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Tudo no filme funciona em harmonia, graças ao talento de Taika Waititi. As narrativas criadas e os personagens funcionam perfeitamente. A escolha das cores foi fantástica, capaz de transmitir emoções para o público. O filme possui um excelente trabalho técnico. Taika sabe muito bem os momentos certos para trazer à tona algo dramático e quando aliviar com humor. Vi muitas pessoas compararem seu trabalho ao de Wes Anderson, e pode até lembrar, porém acho o humor aqui em Jojo ainda mais cômico e irônico – não que um seja melhor que o outro, mas são inseridos em situações diferentes -.

Uma das coisas que podem incomodar alguns, é a mudança drástica de tom de humor no filme, do cômico para o drama, de forma repentina, porém isso mostra o quão imprevisível, triste e dura, é uma guerra.

Outro ponto para se destacar é a falta de trabalho vocal nos atores, que não apresentam sotaques que lembram o de alemães. Além disso, o filme deixa um gosto de quero mais, com relação aos misteriosos sumiços da mãe de Jojo. Seria interessante saber exatamente o que ela vazia, mas a falta disto, não atrapalhou a compreensão da história.

E tem a linda cena final, que é absolutamente umas das mais lindas que vi nos últimos anos, talvez muito influenciado pela música – que é uma das minhas favoritas – , pela história, e também por serem apenas jovens.

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Por fim, gostaria de expressar algo pessoal. Vejo alguns comentários criticando o filme e os respeito. Alguns dizem que o filme não atacou o nazismo o quanto poderia, ou que um filme assim, faz é idolatrar o nazismo e pode influenciar pensamentos nazistas e fascistas, principalmente no período em que vivemos.

Primeiramente não acho nada disso sobre o filme. Tem vários filmes que retratam o nazismo e toda sua crueldade. E mais do que isso, inúmeros documentários, com imagens reais – nada criado em estúdio -, mostrando o quão desumano foi esse regime. Jojo mostra a inocência de uma criança, que ainda sim é capaz de mudar sua opinião e visão, por quem ele julgava ser inimigo, isso através do amor.

E se alguém, ao ver este ou qualquer outro filme que aborda o nazismo, da forma que ele realmente foi, e ainda sim, não sente nenhum tipo de sentimento contrário as atrocidades que eles realizaram, a culpa não está no filme e sim na moral da pessoa.

Jojo Rabbit é um filme surpreendente, com a dose certa de humor e drama, que toca fundo em nosso coração e nos faz acreditar que todo mal pode ser combatido.

“Deixe tudo acontecer com você: beleza e terror. Apenas continue. Nenhum sentimento é final.” – Rainer Maria Rilke (Jojo Rabbit – 2019 )

Qual sua nota para o filme?

“Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” Uma frase que define muitos e a minha pessoa também. E mais do que isso, um publicitário contador de piadas ruins, apaixonado por café e uma boa cerveja. Uma pessoa excêntrica, com gostos peculiares e mais do que tudo, um fascinado pela 7ª arte.

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