Crítica: The Death and Life of John F. Donovan

By Maykon Alves
In abril 1, 2020

Xavier Dolan o jovem e talentoso diretor canadense, traz no seu filme “The Death and Life of John F. Donovan” (A Morte e Vida de John F. Donovan), um trabalho, que em muitas partes, é bagunçado. O filme aborda temas que permitem uma abordagem profunda e dramática, como fama, sexualidade, vida privada e – um tema comum para o diretor – o relacionamento entre mãe e filho. Entretanto, apesar de não ser um filme, ao nível do que o diretor é capaz, devemos destacar o espirito ambicioso e selvagem do diretor.

Xavier Dolan, nas gravações de “The Death and Life of John F. Donovan”

O Filme

Uma década após a morte de uma estrela de televisão americana, um jovem ator relembra a correspondência escrita que ele compartilhou com ele, bem como o impacto que essas cartas tiveram em suas vidas. Mas, o filme vai além dessa simples sinopse. Ele aborda de certo modo 03 histórias em uma.

Em uma das histórias, ocorrida no ano de 2006, temos Rupert Turner, de 11 anos (interpretado de forma brilhante, pelo jovem prodígio, Jacob Tremblay), um garoto, que após sair dos EUA para viver na Inglaterra, com a mãe (Natalie Portman), uma atriz falida e solteira, corresponde as escondidas, com John F Donovan (Kit Harington). O relacionamento entre mãe e filho é marcado por conflitos, além das dificuldades de adaptação enfrentadas pelo menino na nova escola.

Ainda no ano de 2006, temos a vida de John F Donovan, seu relacionamento com a família, principalmente com a mãe, seus dilemas envolvendo sua sexualidade e como ele tenta esconde-la do mundo e todos os eventos que contribuíram para sua morte prematura.

E temos também, uma historia que se passa no período atual, na qual um autor e ator, o já adulto Rupert Turner (Ben Schnetzer) relata para a repórter Audrey (Thandie Newton)  suas cartas trocadas com John, quando ele ainda era uma criança e como a descoberta pela mídia das mesmas, afetou sua vida.

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Apesar de percebermos semelhanças entre a vida de jovem Rupert e de John, como no relacionamento com a mãe, além de ambos terem dificuldades para se conectarem as pessoas ao seu redor, a história que envolve a vida de Donovan deixa a desejar. Harington deixa a desejar interpretando um homossexual fechado, que tenta manter esse segredo, no momento que sua fama cresce muito rápido. A trama deste personagem não aprofunda em seus conflitos internos e com as pessoas mais próximas dele.

Em contrapartida, temos a bela, sofrida e comovente relação entre o garoto Turner e sua mãe. Tremblay e Portman estão em grande sincronia. Aqui temos um material muito bom para se trabalhar: um jovem obcecado por uma estrela da TV e que ao mesmo tempo quer buscar ter sua própria voz e trilhar seu caminho. Ele é filho de uma atriz que fracassou e mesmo assim sonha em ser ator, o que a mãe deve fazer? Ela já passou por isso e sabe da dificuldade e sofrimento que pode gerar e como mãe, que sempre proteger o filho. Essa é simplesmente uma história que tem coração e emoção.

Natalie Portman e Jacob Tremblay em uma cena de “The Death and Life of John F. Donovan”

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Xavier Dolan é um excelente diretor, tanto que em seu primeiro trabalho de direção, no ano de 2009, foi premiado em Cannes, com apenas 20 anos de idade. Este e seu primeiro filme na língua inglesa, e ele fez escolhas equivocadas na trilha sonora, com músicas que não faziam tanto sentido com o que se via na tela.

Vale lembrar, que o filme sofreu com a exclusão das cenas com a atriz Jessica Chastain, que nas palavras do diretor “Foi uma decisão extremamente difícil de tomar. Em relação a Jessica, sinto um amor muito sincero e uma grande admiração. A decisão foi editorial e narrativa, na medida em que nada tem a ver com uma performance, e tudo a ver com um personagem e a compatibilidade de seu enredo.” Ainda, o diretor afirmou que o filme possuía cerca de 04 horas, ou seja, talvez com a atriz e mais cenas envolvendo os personagens, pudéssemos ver um drama mais profundo e digno do diretor.

Contudo, pude ver muitas pessoas que amaram o filme e também, fãs do diretor que realmente tiveram uma opinião neutra, e de certa forma, decepcionada com “The Death and Life of John F. Donovan”, com o potencial que tínhamos aqui. A crítica não é por ser um filme horrível. Temos pontos interessantes na história, mas sabemos do que Xavier Dolan é capaz e que ele pode entregar mais.

Qual sua nota para o filme?

“Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” Uma frase que define muitos e a minha pessoa também. E mais do que isso, um publicitário contador de piadas ruins, apaixonado por café e uma boa cerveja. Uma pessoa excêntrica, com gostos peculiares e mais do que tudo, um fascinado pela 7ª arte.

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