Crítica: The Gentlemen

By Maykon Alves
In abril 12, 2020

Guy Ritchie retorna ao seu estilo típico, com gangsteres, ação e humor. Usando de uma montagem frenética, um diálogo rude e ágil além de anti-heróis desagradáveis.

Guy Ritchie, Matthew McConaughey e Charlie Hunnam nas gravações de The Gentlemen.

O Filme

The Gentlemen se passa no Reino Unido, onde o protagonista Mickey Pearson (Matthew McConaughey) um americano que possui um império de maconha e deseja vende-lo, para poder desfrutar de uma vida sem preocupações com sua esposa. Enquanto ele busca um acordo com o elegante traficante Mathew (Jeremy Strong). Entretanto, ao estar próximo de um acordo, Mickey precisa afastar uma equipe de gangsters chinesa, que querem uma parte do negócio. E no meio de tudo isso, histórias e encontros entre outros personagens, entrelaçam uma história cheia de ação e humor.

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Particularmente sou fã do trabalho do diretor Guy Ritchie, e em The Gentlemen, ele retorna ao estilo que o consagrou. Seu filme “Snatch – Porcos e Diamantes” é um dos meus favoritos, e agora ele traz seu melhor trabalho, desde o referido filme.

Devo dizer que gostei bastante da cena inicial, que de certo modo, já me levou a descobrir um dos pontos da história, ou a forma que ela seria contada. Mas mesmo assim, ao usar do artificio de nos mostrar o caminho do protagonista, como um roteiro de um filme, foi excelente. A história é narrada pelo repórter Fletcher (Hugh Grant – que entrega uma ótima atuação) e em alguns momentos corrigida, pelo braço direito de Pearson, Raymond (Charlie Hunnam).

Essa escolha de narração permite uma montagem típica dos filmes de Ritchie, com um ritmo acelerado e o diretor faz uma condução excelente da história e pequenas histórias paralelas, as subtramas, e seu grande número de personagens envolvidos, que se entrelaçam na trama principal.

Colin Farrell e Charlie Hunnam | The Gentlemen

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Um dos pontos que podem incomodar algumas pessoas é o fato de Ritchie usar muitos insultos raciais, como quando Fletcher apresenta o personagem “Dry Eye” e faz piadas sobre isso. Além das piadas direcionadas ao personagem “Phuc”, que no idioma inglês soa como uma alcunha para (fo**-se). Além disso a insultos a um judeu e negro. Claro que devemos levar me consideração a forma que é colocado no filme e que esse é um artificio usado em filmes desse segmento, dirigidos pelo diretor. Assim, pra quem está já familiarizado com o trabalho do Guy Ritchie, não irá se incomodar.

Todas as subtramas abordam temas de debate, como a maconha e armas. Os eventos permitem perceber que o crime não compensa, mas ao mesmo tempo demonstra, o quanto perspicaz uma pessoa deve ser para realizar o que Mickey fazia. Como ele próprio diz no filme “Se você deseja ser o rei da selva, não basta agir como um rei. Você deve ser o rei.”

Além disso, em uma das cenas, Rosalind, esposa de Mickey, diz se incomodar pelo marido usar uma arma, mas ela mesma precisou de uma para se proteger, mesmo que sem um sucesso total. Assim, vemos que seguir a lei, não é para homens como ele e que tudo terá uma consequência.

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Matthew McConaughey, nosso protagonista, obtém a medida certa para seu papel, como o chefão do tráfico, e apaixonado pela mulher. Ele faz o papel de um personagem, que em certos pontos uma da frieza, necessária pelo negócio que faz, mas, em outros momentos, essa frieza desaparece, mostrando sua devoção a esposa.

Matthew McConaughey em The Gentlemen

Devemos destacar o elenco coadjuvante, que está em excelente forma. Colin Farrell está ótimo como treinador de boxe, mas o destaque vai para Hugh Grant, interpretando um editor de jornais desagradável, mas completamente engraçado.

Hugh Grant em The Gentlemen.

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The Gentlemen, mostra que Ritchie pode criar “bagunça” no gênero de crime. Trazendo uma trama com bons diálogos que abusam da vulgaridade. É perceptível como as subtramas se entrelaçam e temos grandes dosagem com o típico humor politicamente incorreto de Ritchie.

Em resumo, o filme mostra como Ritchie pode realizar um trabalho extraordinário, quando está em sua melhor forma. Retornando as origens, que lhe renderam a notoriedade pelos filmes “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998) e “Snatch” (2000).  Assim o filme lembra os supracitados, e se você gostou deles, irá gostar de The Gentlemen.

Qual sua nota para o filme?

“Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” Uma frase que define muitos e a minha pessoa também. E mais do que isso, um publicitário contador de piadas ruins, apaixonado por café e uma boa cerveja. Uma pessoa excêntrica, com gostos peculiares e mais do que tudo, um fascinado pela 7ª arte.

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