Crítica – The Lighthouse

By Maykon Alves
In janeiro 1, 2020

Mais do que um filme de Terror. The Lighthouse é um tipo de pesadelo. Um filme sombrio, impetuoso e incômodo. Um mergulho no mar da loucura e do isolamento humano.

A PREMISSA

Enquanto o grito vacilante do nevoeiro enche o ar, o ex-lenhador soturno Ephraim Winslow e o faroleiro grisalho Thomas Wake pisam em uma ilhota isolada e perpetuamente cinza na costa da Nova Inglaterra do final do século XIX. Nas quatro semanas seguintes de trabalho árduo e condições desfavoráveis, os homens de boca fechada não terão mais ninguém para companhia, exceto um ao outro, forçados a suportar idiossincrasias irritantes, ressentimentos reprimidos e ódio crescente.

Assim, em meio a maus presságios, uma rajada furiosa e interminável destrói os guardiões do farol pálido na rocha vulcânica já inóspita, abrindo caminho para um período prolongado de fome feroz; agonia excruciante; isolamento maníaco e visões horríveis regadas a bebida. Agora, o estranho domínio da insanidade se aperta. Existe uma fuga da prisão da mente sem parede?

O FILME

Robert Eggers se mostra mais uma vez, que é um dos cineastas mais promissores e talentosos da nova geração. Ele optou por filmar The Lighthouse totalmente em preto e branco e dar-lhe um enquadramento diferente do tradicional, na proporção 1,19:1, tornando-o assim, mais quadrado. A habilidade de Eggers em atentar-se a cada detalhe, de enquadramento, dos sons ambientes, e sua capacidade de levar um incomodo que te prende na tela, torna a ação de assistir The Lighthouse uma experiência emocionante.

ATENÇÃO AOS DETALHES

O fato do filme ter suas limitações de espaço, de quantidade de personagens, faz com que o roteiro se sobressaia, assim como as atuações. Sendo assim temos em cada escolha do diretor uma proposta diferente e importante para a história que nos é contada.

Robert Eggers buscou apresentar uma iluminação que tendesse para algo mais natural, embora o fato de usar lentes antigas e de época, se tornasse necessário mais luz.  Assim, ao usar lâmpadas de halogênio de 500 a 800 watts, fazem com que as filmagens de dia se tornem acinzentadas, enquanto em contrapartida, as noturnas são assustadoramente negras.

Outro fator importante, é o barulho uivante ao fundo, que incomoda e causa uma estranheza, não somente em quem está vendo, mas no próprio personagem de Robert Pattinson, sendo praticamente um tormento psicológico.

SUCUMBINDO À LOUCURA

O personagem Thomas é quase uma extensão do próprio farol. Ele não permite que Ephraim chegue até ele, deixando um mistério sobre o que existe lá. Sendo que o mesmo, já havia mencionado, que o antecessor de Ephraim cometeu suicídio, por ter ficado louco, pois achava que o farol o fizeste assim. E Ephraim é cada vez mais enlouquecido pelas peculiaridades e forma de liderar de Thomas.

Simbologias

É muita coisa para se absorver em The Lighthouse. Eggers é um cineasta que usa muito de simbologias, folclore mitos e fábulas em suas obras, como ficou provado em The Witch. Ele usa como referência as figuras da mitologia grega: Proteus e Prometeu. Sendo que, Proteus foi um dos primeiros anciões do mar, sendo responsável como guardião do conhecimento.

Entretanto, também temos Prometeu, que era um titã trapaceiro. Prometeu um dia roubou o fogo dos deuses e Zeus deixou Prometeu acorrentado a uma pedra, que era guardada por uma água que chegava e pegava, diariamente os órgãos do Titã. Vemos em The Lighthouse, o personagem de Pattinson desafiar o “deus” e escalar a escadaria (montanha Olympus) para descobrir o que há lá em cima.

Alpem disso, podemos ver que a luz, no alto do farol, representa todo o conhecimento. Que Ephraim absorveu tudo de uma vez e não suportou. Pois ele não era um marinheiro com experiência, que havia passado para o outro lado e voltado como uma gaivota, animal este que como o mais velho, Thomas, já havia dito, trazia má sorte matar.

ATUAÇÕES

Os dois protagonistas, Robert Pattinson e Willem Dafoe, estão impecáveis. É notável o trabalho de voz, sotaque e dialeto com precisão do período que a história se passa. Enquanto o sotaque de Pattinson é característico de uma área rural, o de Dafoe é mais de um velho marinheiro. E juntos, eles apresentaram uma química muito boa.

Robert Pattinson

Robert abandonou aquela imagem do vampiro de Crepúsculo, e mergulhou em filmes independentes. Ele está sensacional no papel de Ephraim, um personagem que está constantemente instável, que cada vez mergulhando nos seus próprios impulsos e desejos.

Willem Dafoe

Willem, um ator mais experiente, também está fabuloso interpretando Thomas Wake. O ator é sempre muito carismático, mas seu personagem está longe de passar esse carisma. Ele usa dialetos incomuns para o público e apesar de suas características, que enjoariam alguns, ele passa uma personalidade forte.

CONCLUSÃO

Sendo assim, vemos em The Lighthouse, uma história de fantasmas. Não fantasmas reais, mas nossos fantasmas, nosso passado e como ele afeta nosso presente. Ambos personagens, escondem seus fantasmas, enterrando-os, ou melhor, jogando-os na água. Mas, mais do que isso, o filme tem seus momentos engraçados, principalmente nas cantorias, que ambos personagens estão completamente bêbados.

Vale destacar também a produtora A24, que mais uma vez e com frequência, nos presenteia com outro grande filme.

“Ontem à noite em uma exibição, alguém me perguntou: ‘Por que você não fotografou o que Rob [Pattinson] vê no final do filme?’

E eu disse: ‘Porque se você o visse, esse mesmo destino aconteceria com você.'”

Robert Eggers

Qual sua nota para o filme?

“Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” Uma frase que define muitos e a minha pessoa também. E mais do que isso, um publicitário contador de piadas ruins, apaixonado por café e uma boa cerveja. Uma pessoa excêntrica, com gostos peculiares e mais do que tudo, um fascinado pela 7ª arte.

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