Entrevista com Bruno Peixoto

By Maykon Alves
In dezembro 2, 2020

O ator Bruno Peixoto, conhecido por atuar no filme “Meus 15 Anos” (2017) e por seu papel de destaque em “Malhação: Toda Forma de Amar” (2019), agora faz o papel de Domingos, em “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida”, filme que estreia amanhã (dia 03/12) e que é dirigido por Jeferson De.

No filme, Domingos é um jovem estudante de medicina, homossexual e livre de qualquer tipo de preconceito. Na trama é um dos amigos de Mauricio (Juan Paiva), protagonista do longa, e de Suzana (Giulia Gayoso). Juntos, os estudantes decidem ir em busca de respostas sobre quem é M8 e sua história.

M8 conta a história de Maurício, jovem negro que ingressa como aluno cotista da Universidade Federal de Medicina. Ao chegar na instituição, é confrontado com uma dura realidade: o corpo que servirá para estudo na aula de anatomia – quase sempre de indigentes – é também negro.

Impactado com a experiência, Maurício se vê envolvido com M-8, como o jovem morto é chamado, e inicia uma saga para desvendar sua identidade, enfrentando as próprias angústias e repensando o próprio lugar na sociedade.

Além de refletir sobre preconceito e exclusão, o filme toca em questões universais sobre sentimentos e relacionamentos.

O filme é vencedor do prêmio de Melhor Longa de Ficção (Voto Popular) no Festival de Cinema do Rio de Janeiro (2019)

Bruno Peixoto, gentilmente respondeu algumas perguntas sobre sua carreira e conta como foi a experiência em atuar no filme.


01 – O que o atraiu a começar a carreira de ator?

Os desafios de cada personagem. Aos 14 anos, depois de não ter passado no teste para ser o príncipe da Sasha no filme “Xuxa em O Mistério da Feiurinha”, comecei a estudar teatro. Desde então não parei mais, fui me apaixonando pela arte e aprendendo com cada imersão.

02 – Quais são suas principais inspirações no meio cinematográfico?

Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Leonardo Dicaprio e Will Smith. É uma alegria enorme ter trabalhado com um deles (Lázaro) em M8.

03 – Quais são seus filmes favoritos?

“Até o Último Homem”; “Ó Paí, Ó”;  “Clube da Luta”; “O Homem do Futuro”.

04- Quais são as maiores dificuldades no campo da atuação? E que métodos de atuação você usa para criar um personagem verossímil?

Dar vida a um personagem novo não é uma tarefa fácil. Envolve muita entrega e muito estudo, é no processo que a magia acontece. Eu gosto de trabalhar com diferentes métodos para chegar ao personagem e elas envolvem, por exemplo, muita pesquisa e também vivência com a realidade que a obra retratará, para assim levar mais veracidade ao público.

05 – Sobre seu trabalho no filme “M8 – Quando a Morte socorre a Vida”, o que você achou de participar do filme?

Me sinto muito honrado por ter tido a oportunidade de participar de um projeto tão significativo e que aborda temas extremamente relevantes para a sociedade. É um privilégio estar unindo a minha voz e a minha arte com todas as pessoas talentosas deste filme.

Bruno durante as gravações do filme.
06 – O filme aborda temas praticamente atemporais, sobre preconceito, sentimentos e relacionamentos. Como foi para você abordar esses temas tão importantes? E o que as pessoas podem esperar do filme?

Foi e está sendo um constante aprendizado. Reconheço todos meus privilégios, todos nós temos nossas diferenças e ter a oportunidade de estar em um projeto como este me fez muito bem não só como Ator e artista, mas também como pessoa.

O público irá encontrar uma história muito atual vista por um olhar extremamente sensível do nosso querido diretor Jeferson De. Tenho certeza que muitos irão se identificar.

07 – O que você pode nos dizer (cuidado com os spoilers) sobre seu personagem – Domingos- no filme? E qual é o maior desafio de assumir esse papel?

Viver Domingos foi um desafio muito grande. Durante a nossa preparação passamos por um laboratório onde estudamos medicina através de cadáveres de verdade. Neste processo de preparação que levou um mês, aprendi também muito sobre o preconceito e todas as suas formas. Foi um projeto que me agregou muito na vida.

08 – Quais são as semelhanças e diferenças entre você, Bruno e seu personagem Domingos?

Como sou formado em Educação Física, na faculdade eu tive aula de anatomia e essa é uma grande semelhança entre a gente. Desta vez, contudo, através de Domingos eu vivenciei essa experiência de uma maneira bem diferente. O filme fala bastante sobre o fato de todos os corpos terem uma história aguardando para ser contada e isso me fez analisar a vida de uma maneira completamente diferente.

09 – O que você aprendeu e evoluiu como pessoa e ator, com sua participação no filme?

Aprendi muito sobre preconceito, sobre machismo e sobre como me posicionar diante de muitas situações que infelizmente acontecem no nosso dia a dia. Se omitir é ser conivente com o agressor, e o melhor caminho sempre é o amor. Sempre.

10 – Como você enxerga a qualidade do cinema nacional atualmente? E o que ainda precisa melhorar?

O cinema vem crescendo muito, cada vez mais. Sinto orgulho em fazer parte disso. Acredito que o sistema de capitalização poderia ser melhor aproveitado. Existem produtos independentes brilhantes que mereciam ter mais acesso.

11 – Qual é o conselho que você daria a alguém que aspira entrar no campo da atuação?

Estude muito e viva, de verdade, quem você é hoje.

12 – Quais são seus projetos para o futuro?

Quero participar cada vez mais de produções que me desafiem.

13 – Fique à vontade para convidar o pessoal para assistir ao filme.

Pessoal, “M8- Quando a Morte Socorre a Vida” estreia dia 3 nos cinemas! Um dos trabalhos mais importantes da minha carreira como ator. Quero muito que vocês assistam e se identifiquem com essa história! Um beijo com carinho.

Trailer M8

E vale lembrar, quem for ao cinema, lembre-se de seguir todas as medidas sanitárias de prevenção à disseminação da Covid-19. Fique seguro.

“Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” Uma frase que define muitos e a minha pessoa também. E mais do que isso, um publicitário contador de piadas ruins, apaixonado por café e uma boa cerveja. Uma pessoa excêntrica, com gostos peculiares e mais do que tudo, um fascinado pela 7ª arte.

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