Movimentos Cinematográficos – Novo Cinema Alemão

By Maykon Alves
In agosto 19, 2020

O Novo Cinema Alemão surgiu como um broto da destruída indústria cinematografia do país, na pós segunda guerra. Muitos dos cineastas do movimento, possuíam estilos diferentes, porém, o que eles compartilhavam, era o objetivo que desafiar o status quo do cinema vigente. Eles pretendiam, através dos fantasmas do passado, como o nazismo e acontecimentos durante a República de Weimar, moldar e transformar o cinema alemão.

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Até o início dos anos 60, o cinema alemão estava em declínio. O país viu uma queda nas produções cinematográficas, que perdiam cada vez mais a qualidade e desagradava o público. Isso levou um grupo de jovens diretores, que tinham uma nova visão a tomar uma atitude. Essa reação, partiu em meados do ano de 1962, quando esse grupo com cerca de 26 cineastas, assinaram o Manifesto de Oberhausen, que basicamente criticava o estilo do cinema alemão, e pedia a criação de um novo estilo cinematográfico, com bases em novas liberdades e uma nova linguagem.

Texto contido no Manifesto de Oberhausen

O Novo Cinema Alemão veio a partir deste manifesto e fortemente influenciado pela Nouvelle Vague Francesa, representou e fez severas críticas políticas e sociais.

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Durante o caminho para criar uma nova fase no cinema alemão, os cineastas do Novo Cinema Alemão, refletiam suas visões e posições políticas e enfrentavam radicalmente as questões contemporâneas em suas obras.  A mistura entre arte e política, criticava as instituições burguesas e suas tentativas de criar uma reconciliação com seu passado violento. A rejeição ao sistema burguês e a solidão advinda deste ato, também era constantemente abordado.

Este movimento, existiu fora da indústria cinematográfica existente, pois ela era considerada muito comercial. Os filmes realizados pelos cineastas do movimento, começaram com um orçamento muito baixo, onde a criatividade seria essencial. Os filmes refletiam a politica radica da nova geração alemã. E que por muitas vezes, simpatizava com o regime socialista do que com o regime capitalista.

Os filmes do Novo Cinema alemão abordavam muitos temas, mas o que eles tinham em comum, era o olhar para o passado, para a história alemã, principalmente a mais recente.  Um dos pontos importantes, mesmo abordando temas em comum, cada filme possuía um estilo próprio. Outra influência importante no movimento, são os filmes americanos consagrados do etilo noir e melodramático, adaptando-se as necessidades e objetivos de suas obras, afim de ampliar suas próprias visões e do público.

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É importante salientar que os temas em comuns, não representam por si só o movimento. O desejo que uma nova linguagem trouxe estilos, temas e escopos diferentes nas obras que pertencem ao Novo Cinema Alemão. A riqueza do movimento se deve a diversidade que se pode encontrar, com a cara e estilo de seus respectivos criadores. Mesmo que você não goste do sistema politico e cultura da Alemanha Ocidental deste período, os filmes abordam temas universais, que nenhuma barreira nem o tempo destroem e que permanecem relevantes até hoje.

Filmes do Novo Cinema Alemão
Abschied von gestern | Despedida de Ontem (1966) – Alexander Kluge

Der junge Törless | O Jovem Törless (1966) – Volker Schlöndorff

Ich bin ein Elefant, Madame (1969) – Peter Zadek

Aguirre, der Zorn Gottes | Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972) – Werner Herzog

Die bitteren Tränen der Petra von Kan | As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1972) – Rainer Werner Fassbinder

Angst essen Seele auf | O Medo Consome a Alma (1974) – Rainer Werner Fassbinder

Alice in den Städten | Alice nas Cidades (1974) – Wim Wenders

Jeder für sich und Gott gegen alle | O Enigma de Kaspar Hauser (1974) – Werner Herzog

Der amerikanische Freund | O Amigo Americano (1977) – Wim Wenders

Die Allseitig reduzierte Persönlichkeit – Redupers (1978) – Helke Sander

Die Ehe der Maria Braun | O Casamento de Maria Braun (1979)Rainer Werner Fassbinder

Die Blechtrommel | O Tambor (1979) – Volker Schlöndorff

Nosferatu: Phantom der Nacht | Nosferatu: O Vampiro da Noite (1979) – Werner Herzog

Die bleierne Zeit | Os Anos de Chumbo (1981) – Margarethe von Trotta

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“Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” Uma frase que define muitos e a minha pessoa também. E mais do que isso, um publicitário contador de piadas ruins, apaixonado por café e uma boa cerveja. Uma pessoa excêntrica, com gostos peculiares e mais do que tudo, um fascinado pela 7ª arte.

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